O Terceiro Olho – Fernando E. Teixeira

terceiro olhoSegue o fichamento dos capítulos do livro O Terceiro Olho, de Fernando E. Teixeira que tratam da análise feita por Gilles Deleuze da obra de Glauber Rocha, e também de um estudo sobre seu último filme, A Idade da Terra.  – TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.

1. Mitos Glauberianos do Brasil ou Deleuze Leitor de Glauber

“Quatro anos após a morte de Glauber Rocha, muito próximo ainda das reverberações polêmicas do seu último filme, a posição de sua obra nos quadros da história do cinema é objeto de uma arremate decisivo: a inscrição que Gilles Deleuze dela faz no panteão do ‘cinema moderno’, no rol do melhor ‘cinema político’ que já se produziu.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 57)

“Glauber definitivamente moderno, um clássico! E ainda por cima no recorte de sua preferência, que foi sempre o seu campo de batalha, o de um cinema político”. (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 57)

O CINEMA POLÍTICO CLÁSSICO VISTO SOB O RECUO DO CINEMA POLÍTICO MODERNO

“As referências de Deleuze ao cinema de Glauber aparecem em dois capítulos do livro A Imagem-Tempo: no capítulo ‘O Pensamento e o Cinema’, quando de uma passagem em que o autor discorre sobre dois pólos que desde sempre atraíram o cinema – uma ‘fé cristã’ e uma ‘fé revolucionária’; (…) no capítulo ‘Cinema, Corpo e Cérebro, Pensamento’, na parte em que circunstancia uma reviravolta em tal revolucionarismo a partir da equação ‘cinema político moderno/ausência de povo’.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 58)

“Quanto não se fez da intolerável ausência de um povo um sintoma de decadência e alienação artística! Mas, como positivar tal ausência, transmutá-la num leitmotiv da criação cinematográfica? A partir desse eixo argumentativo, o da construção de um povo como problema, o autor enuncia quatro diferenças entre os dois cinemas políticos, o clássico e o moderno.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 59)

“1. No cinema político clássico, ainda que oprimido, enganado, submetido, cego ou inconsciente, o povo existia, ‘o povo estava presente’. Mas tal crença iria sofrer um tríplice abalo: do nazismo, que transformava as massas de sujeito em objeto de assujeitamento; do stalinismo, que ‘substituía o unanimismo dos povos pela unidade tirânica de uma partido’; da decadência do povo americano, que punha por terra sua auto-imagem de amálgama cultural de todos os povos passados com função germinal de um ‘povo por vir’. Frente a tal abalo de crença, o cinema político moderno( ‘se houvesse um cinema político moderno’?!) erguer-se-ia sobre a seguinte base: ‘o povo já não existe, ou ainda não existe, o povo está faltando’.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 59)

“Enfim, nessa primeira diferença entre os dois cinemas, uma conclamação do autor: ‘É preciso que a arte cinematográfica participe dessa tarefa: não dirigir-se a um povo suposto, já presente, mas contribuir para a invenção de um povo’. ” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 60)

“2. A segunda diferença diz respeito à relação público privado. (…) Deleuze afirma com ele que ‘uma fronteira entre o político e o privado’, mesmo móvel, mantinha-se nas literaturas ‘maiores’, enquanto ‘na menor’, o assunto privado era imediatamente político. (…) Transpondo tal esquema analítico para os dois cinema, Deleuze propõe que se ‘o cinema clássico sempre manteve a fronteira que marcava a correlação do político e do privado, e que permitia, por intermédio da conscientização, passar de uma força social a outra, de uma posição política a outra’, tal não acontece no cinema político moderno. Nele, ‘nenhuma fronteira subsiste para assegurar o mínimo de distância ou evolução: o assunto privado se confunde com o imediato-social ou político’. (…) Cinema que se constitui, diferentemente do clássico, não mais ‘sobre uma possibilidade de evolução ou revolução’, mas ‘sobre impossibilidades, à maneira de Kafka: o intolerável’.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 60)

“3. Porém essa constatação de ausência do povo, com a impossibilidade de conscientização/evolução/revolução que arrasta consigo, com a crise da ‘fé revolucionária’ que expõe (fé embasada na conquista do poder pelo proletariado ou por um povo unido e unificado), o que vem a permitir é uma nova ‘tomada de consciência’. A consciência de que não ‘um’ povo, ‘mas sempre vários povos, uma infinidade de povos, que faltava unir, ou não se devia unir para que o problema mudasse’. (…) É com base nessa fragmentação, nesse estilhaçamento do povo numa multiplicidade numa multiplicidade de povos, que se constitui o cinema político moderno. Tal é sua terceira diferença.”. (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 60-1)

4. “A quarta e última diferença característica desse cinema diz respeito à figura do autor. (…) o cineasta defronta-se com uma dupla colonização do povo: ‘exocolonização’ (‘das histórias vindas de outros lugares’) e com uma ‘endocolonização’ (dos ‘próprios mitos’ transformados em ‘entidades impessoais a serviço do colonizador’).” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 61)

“Resta ao autor, para efetivamente tornar-se ‘agente coletivo’ de um povo por vir, ‘a possibilidade de se dar ’intercessores’, isto é, de tomar personagens reais e não-fictícias, mas colocando-as em condições de ficcionar por si próprias, de criar lendas, fabular’. Autor e personagem rumam, desse modo, um para o outro num ‘duplo devir’. O que daí ressalta é um terceiro produto: nem ‘mito impessoal’, nem ‘ficção pessoal’, mas a obra constituindo um ‘ato de fabulação’.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 61)

O CINEMA POLÍTICO DE GLAUBER: TRÊS NÓS DE TENDÊNCIAS

“De acordo com as categorias deleuzeanas do ‘clássico’ e do ‘moderno’, o cinema político moderno, contrariamente ao seu balizamento no horizonte revolucionário que até recentemente se fazia, constitui-se no ponto de fuga de uma nova tomada de consciência que faz soar ‘a morte da conscientização’, lançando a ‘fé revolucionária’ no universo clássico. Todo o problema desse cinema, deixando de ser um investimento de fé num mundo transformado, para converter-se num reinvestimento de ‘crença neste mundo’. Daí sua percepção crucial da fragmentação e estilhaçamento do povo numa infinidade de minorias, criando condições para que os termos do problema mudassem”. (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 62)

“Dentre os nós de tendências na obra do cineasta que a leitura do filósofo expõe, configuram-se mais dois problemas. Um é o do ‘eu do intelectual’, tantas vezes ‘retratado por Glauber Rocha’. Figurando no âmbito da quarta diferença do cinema político moderno, a do autor tornado ‘agente coletivo’ do povo por vir, tal problema concerne ao lugar da memória nas ‘pequenas nações’. (…) ele discrimina que não se trata nem de ‘memória psicológica como faculdade de evocar lembranças, nem mesmo de uma memória coletiva como povo existente’. Ela seria a ‘estranha faculdadeque põe em contato imediato o fora e o dentro, o assunto privado e o público, o povo que falta e o eu que se ausenta, uma membrana, um duplo devir’. Daí, reiterando Kafka, a ‘força que a memória adquire nas pequenas nações’: por ser mais ‘curta’ relativamente às de uma grande nação, ‘ela trabalha muito mais a fundo o material existente’.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 63)

“Ora, problematiza o filósofo, não é esse ‘o eu do intelectual do Terceiro Mundo’ que aparece retratado no cinema de Glauber. Intelectual ‘que deve romper com o papel de colonizado’ e que, no entanto, ‘será que só pode fazê-lo passando para o lado do colonizador, ainda que apenas esteticamente, devido a influências artísticas?’. Nesse nó que Deleuze recorta no pensamento de Glauber persistem reverberações do problema de revolução. Mundo parcelar e eu rompido que se comunicam, articulando o campo da memória nas ‘pequenas nações’: eis algo estranho e intolerável a um horizonte revolucionário tão intensamente composto de visões totalizantes e teleológicas do mundo! Pode-se considerar que essa problematização investe e engloba tanto o intelectual quanto o retratista.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 63)

“Um terceiro problema que se inflete na leitura que Deleuze faz do cinema de Glauber é quanto ao aspecto da composição das personagens. Vimos como impossibilitado de tornar-se etnólogo ou inventor de uma ficção pessoal, restava ao autor a ‘possibilidade de se dar ‘intercessores’, isto é, de tomar personagens reais e não-fictícias’, pondo-as a fabular. Aqui, Deleuze  discrimina três categorias de personagens: reais, recompostas e fictícias.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 64)

DELEUZE: “O transe, o fazer entrar em transe é uma transição, passagem ou devir: é ele que torna possível o ato de fala, através da ideologia do colonizador, dos mitos do colonizado, dos discursos do intelectual. O autor faz entrar em transe as partes, para contribuir à invenção de seu povo, que é o único capacitado a constituir o conjunto. Mas as partes não são exatamente reais em Glauber Rocha, porém recompostas.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 64)

“Procedendo pela ‘colocação em transe’ das partes (colonizador, colonizado, intelectual), os personagens-intercessores de Glauber são figuras ‘recompostas’ a partir de personagens reais, oriundas ora do campo do misticismo, ora do banditismo, ora de alguma herança histórica colonial.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 64)

“Nos três nós problemáticos que se pode compor da leitura de Deleuze, o problema da revolução, o problema do intelectual, o problema dos personagens-intercessores, o cinema político de Glauber Rocha é, ressalte-se, um cinema cujo ‘fazer entrar em transe’ implica-se a si mesmo. Ele é, nesse sentido, também ‘transição’, ‘passagem’, ‘devir’, procedendo por crises. Cinema político moderno que não pára de se constituir, concomitantemente ao seu objeto – o povo.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 65)

AGITAÇÃO, TRANSE, CRISE

“Cinema político moderno que se constitui de múltiplas diferenças-características com relação ao clássico: ausência de povo, indiscernibilidade entre privado e político, consciência da fragmentação do povo numa infinidade de minorias, o autor como agenciador de atos de fabulação de um povo por vir. Posição do cinema de Glauber nesse conjunto, destacado em sua intensidade estratégica de fazer tudo entrar em transe de proceder pela ‘colocação em transe’ das partes, um outro modo sendo o da ‘colocação em crise’.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 65)

“A noção de transe constitui proposição central do pensamento estético-cinematográfico de Glauber, e Deleuze. Efetivamente, absorve dela grande energia conceitual. Mas ela está em correlação com uma outra noção, a de crise, de tal modo que se pode dizer que entre o transe e crise há diferença e indiscernabilidade. Tanto o cineasta e o filósofo se atêm a essa discriminação.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 65)

GLAUBER ROCHA: “Convulsão, choque de partidos, de tendências políticas, de interesses econômicos, violentas disputas pelo poder é o que ocorre em Eldorado, país ou ilha tropical. Situei o filme aí porque me interessava o problema geral do transe latino e não do brasileiro em particular; é um momento de crise, é a consciência do barravento, que significa ‘momento de transformação’. Antes do ‘barravento’ existe o ‘transe’. Depois de ‘Deus e o Diabo’, isto é, depois das dúvidas metafísicas chegam as dúvidas políticas. Somente depois das crises morais, o homem estará preparado para a lucidez. Isto não é filosofia, é uma explicação do que é, e por quê, ‘transe’. E transe é também a ‘crise em violência’, o momento entre o som e a fúria é o transe.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 65-6)

“Discriminemos as proposições, primeiro no campo da diferença: a crise é ‘consciência do barravento’, do ‘momento de transformação’, mas ‘antes’ da transformação ‘existe o transe’. Há aí uma relação de precedência, o transe precede a crise. Mas, quando a crise é explosiva, quando se manifesta ao modo da disrupção, quando se desencadeia como ‘crise em violência’ é o momento em que transe e crise se indiscernem.Indiscernibilidade de um antes e depois, quando já não se pode saber quando um transe precede uma crise ou quando a conclusão de um momento crítico, de transformação, torna a pôr tudo em transe novamente. (…) Ora, é partindo desse conjunto de proposições – agitação, crise, transe – que Deleuze põe sob óptica o cinema de Glauber como o ‘maior cinema de agitação que se fez um dia’.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 66)

DELEUZE: “a agitação não decorre mais de uma tomada de consciência, mas consiste em fazer tudo entrar em transe, o povo e seus senhores, e a própria câmera, em levar tudo à aberração, tanto para pôr em contato as violências quanto para fazer o negócio privado entrar no político, e o político no privado.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 66)

“O estado de agitação não é mais o que se implica numa tomada de consciência revolucionária (Glauber distinguia um ‘cinema de agitaçào’, ‘antes da revolução, em regime capitalista’, de um ‘cinema didático’, pós-revolução). É um estado de suspensão da consciência, dessa consciência, dela posta em transe ao modo, já se observou, do impasse, de uma ‘impossibilidade’. Daí o mito, o investimento em sua direção tornar-se tão crucial: é por sob ele que o transe vem escavar uma ‘pulsão bruta’, pôr em relevo um ‘atual vivido, que designa ao mesmo tempo a impossibilidade de viver’. Deleuze ressalta que esse investimento no mito ‘pode fazer-se de outras maneiras, mas não deixa de constituir o novo objeto do cinema político’ que é, precisamente, ‘fazer entrar em transe, em crise’.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 66-7)

“A colocação em transe, característica do procedimento glauberiano, é, sintetizando, o que ‘torna possível o ato de fala’, a palavra em ato que constitui a fabulação enquanto memória. Memória que não é nem psicológica nem coletiva, contornando os riscos de ‘passar para o lado do colonizador’ (embora, como observou-se, tal risco ronde o cineasta). Eis a configuração crítica, a consistência política desse cinema.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 67)

“Tudo isso para elaborar uma nova (?) função para o autor de cinema: que não seja nem um artista-inventor de ficção impessoal, impossibilidade que o contexto rarefeito onde vive coloca, nem um etnólogo-coletor de mitos impessoais, atividade politicamente favorável aos ‘senhores’. Resta-lhe a possibilidade de se tornar um agenciador na produção de ‘enunciados coletivos’.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 70)

 

2. Dos Transes às Arquegenealogias: A Terra e suas Idades

O NÃO-LUGAR DE TODOS OS LUGARES

“‘Anabaziz’: um anabatismo do Brasil? Um novo batismo que vem operar a passagem do mito à religião como atualidade imediata e concreta. Dos ‘mitos do Brasil’ (profetismo, banditismo), realidade subsistente a um olhar mais difuso e distanciado, ao magma religioso nuclearizado nas figuras desse personagem real panreligioso: Cristo.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 76)

“Um Cristo tornado germe de um povo por vir. Não um ‘falso Cristo romano’, um Cristo ‘afraziático, o verdadeiro’, convertendo cada apóstolo num ‘Chefe de Tribo, de cultura diversa, com suas mulheres e seus filhos’. Este Cristo descrucificado (‘Não morri na cruz na sexta-feira da Paixão e depois do terremoto segui minha volta pelo mundo e esta é a terceira e definitiva’), redentor, comporá com as ‘doze tribos’ a genealogia de um novo começo da humanidade (‘somos uma raça pobre, mas somos a raça nova… do encontro de Ogulaganda com Eldorado nascerá a nova civilização’).” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 77)

“Essa cartografia de ‘Anabaziz’ o que aciona é a construção de intricados labirintos de uma genealogia  do poder mundial.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 78)

“Glauber completa, neste ‘tratamento’ que se trata de um filme que ‘é a antítese da dramaturgia ocidental – um remake da Utopia Dramátika, pertence ao sonho fluxo atemporal, a Teoria da Montagem em Quarta Dimensão’.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 79)

“Glauber parte, portanto, de um circuito estreito do atual, comprimido nessa face a face de guerra e religião, para traçar a sua arquegenealogia do presente. Da guerra, expõe-nos a sua degeneração em logística, realização que se perverte em preparativos intermináveis, um estado de militarização permanente do cotidiano, com o leitmotiv da segurança como denominador comum da construção das subjetividades. Da religião, tenta extrair novas energias desde a composição da figura deste Cristo redentor. Cristo que vem reinstaurar, com sua pregação de uma liberdade em realização no amor, a crença neste mundo.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 79-80)

“Aqui, o processo de escavação das idades da Terra expõe uma total colonização do espaço, que vem constituir o planeta como um não-lugar de todos os lugares. Nesse sentido, o cinema político de Glauber, nessa altura, não faz mais (o que não é pouco) que traçar uma ‘cronopolítica’ contemporânea, pondo em foco as desterritorializações efetuadas no campo da guerra e as reterritorializações processadas no campo religioso.” (TEIXEIRA, Fernando E. O Terceiro Olho. São Paulo: Ed. Perspectiva: FAPESP, 2003.p. 80)

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