Ensaio sobre o cinema do simulacro – André Parente

“ (…) grande parte dos nosso consagrados cineastas de outrora não são hoje senão produtores de filmes, homens de negócios e interesses espúrios, capazes de, a exemplo de grande parte de nosso empresariado, fazer uma política qualquer para salvar suas empresas e seus projetos, em detrimento de uma verdadeira política para o cinema brasileiro. Quem age assim, está inviabilizando duplamente o cinema: em primeiro lugar, porque essa política imdediatista e arrivista, no sentido mais amplo da palavra, é uma sentença de morte do cinema a médio e longo prazo; em segundo lugar, porque o cinema não se confunde com os filmes, e é justamente por isso que o cinema tem um papel estratégico – na refelxão sobre a questão da produção do novo, por exemplo – no campo do audiovisual.” (PARENTE, André. Ensaios sobre o cinema do simulacro. RJ: Pazulin, 1998)

“ O principal problema do nosso cinema deve-se à forma como ele pode, ou não, se inserir, como produto no campo do audiovisual, notadamente no mercado da imagem eletrônica (televisão e home-video). A razão é simples: não se pode mais pensar o cinema independente de sua inscrição no domínio do audiovisual, e isso, em qualquer lugar do mundo. “(PARENTE, André. Ensaios sobre o cinema do simulacro. RJ: Pazulin, 1998)

“Quando Godard recebeu o prêmio Cezar pelo conjunto de sua obra, fez uma declaração que é esclarecedora a esse respeito: ´Agradeço aos profissionais da profissão (lema do Cezar), mas, eu sinto muito ter que dizer , não sou um profissional, não faço filmes, faço cinema´.”(PARENTE, André. Ensaios sobre o cinema do simulacro. RJ: Pazulin, 1998)

“ O cinema não pára de ressuscitar a televisão, enquanto a televisão não pára de assassinar o cinema.” (PARENTE, André. Ensaios sobre o cinema do simulacro. RJ: Pazulin, 1998)

“ Todos nós sabemos que nem o cinema nem a televisão surgiram para atender a uma necessidade de criação ou comunicação. As diversas ´ linguagens ´  audiovisuais foram inventadas, ao longo deste século, como forma de afirmações de visões de mundo, em função de vontades, estéticas, éticas, políticas.” (PARENTE, André. Ensaios sobre o cinema do simulacro. RJ: Pazulin, 1998)

“Se a modernidade desses movimentos nasce da crise da representação, é precisamente porque o que surge com ela, em primeiro plano, é a questão da possibilidade, ou melhor, da necessidade de produção do novo. O novo é o que escapa à representação do mundo, como dado, como cópia. O novo significa a emergência da imaginação no mundo da razão, e, conseqüentemente, implica uma liberação dos modelos disciplinares.” (PARENTE, André. Ensaios sobre o cinema do simulacro. RJ: Pazulin, 1998)

“ O que nos interessa hoje é um audiovisual da criação que remeta à afirmação do real enquanto novo, um cinema que rompa com os modelos da representação e os antigos ideais de verdade da indústria. No entanto, não basta boa vontade e prazer em criar, produzir, comunicar, mesmo que essa boa vontade e prazer tragam consigo idéias e imagens justas porque bonitas (pós-moderno) ou bonitas porque justas (pré-moderno). As imagens do cineasta e as palavras do cineasta necessitam da necessidade, da marca da necessidade. E essa necessidade, que faz das idéias, das imagens e dos signos algo de novo, depende cada vez mais de um espaço crítico. O espaço crítico é o operador necessário que faz do moderno não um signo vazio, um significante sem referente social, mas um agenciamento coletivo. Lembremos que, para Paul Klee, o povo é que continua a faltar no projeto moderno. No entanto, devemos evocar artistas como Guimarães e Glauber, que souberam tão bem inventar, com suas obras, uma relação imanente com o povo: cada um, a seu modo, soube fazer do povo expressão de suas obras.” (PARENTE, André. Ensaios sobre o cinema do simulacro. RJ: Pazulin, 1998)

“Hoje, cada vez mais, o espaço crítico , que não se confunde com a crítica, é o espaço necessário para que a produção artística do novo seja como um porvir das novas linguagens.” (PARENTE, André. Ensaios sobre o cinema do simulacro. RJ: Pazulin, 1998)

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