Tropicalismo, antropologia, mito, ideograma – Glauber Rocha

“Consideramos como o ínicio de uma revolução cultural no Brasil, o ano de1922. Naquele ano existiu forte movimento cultural de reação à cultura  acadêmica e oficial. Deste período, o expoente foi Oswald de Andrade. Seu trabalho cultural, sua obra, que é verdadeiramente genial, ele definiu como antropofágica, referindo-se à tradição dos índios canibais. Como esses comiam os homens brancos, ele dizia de haver comido toda a cultura brasileira e aquela colonial. Morreu com pouquíssimos textos publicados.” (ROCHA, Glauber. Tropicalismo, antropologia, mito, ideograma. In: PIERRE, Sylvie. Glauber Rocha. Campinas, SP: papirus, 1996)

“O tropicalismo, a antropofagia e seu desenvolvimento são a coisa mais importante hoje na cultura brasileira.” (ROCHA, Glauber. Tropicalismo, antropologia, mito, ideograma. In: PIERRE, Sylvie. Glauber Rocha. Campinas, SP: papirus, 1996)

“Primeiro se descobriu, se bem que em forma bastante esquemática, por que no Brasil as Ciências Sociais são primitivas, o subdesenvolvimento econômico; depois veio a idéia de que o subdesenvolvimento era integral. O cinema brasileiro partiu da constatação desta totalidade, de seu conhecimento e da consciência da necessidade de superá-la de maneira também total, em sentido estético, filosófico, econômico: superar o subdesenvolvimento com os meios do subdesenvolvimento. O tropicalismo, a descoberta antropofágica, foi uma revelação: provocou consciência, uma atitude diante da cultura colonial que não é uma rejeição à cultura ocidental como era no início (e era loucura, por que não temos metodologia): aceitamos a ricezione (recepção) integral, a ingestão dos métodos fundamentais de uma cultura completa e complexa mas também a transformação mediante os nosso succhi (sucos, substâncias) e através da utilização e elaboração da política correta. É a partir deste momento que nasce uma procura estética nova, e é um fato recente.” (ROCHA, Glauber. Tropicalismo, antropologia, mito, ideograma. In: PIERRE, Sylvie. Glauber Rocha. Campinas, SP: papirus, 1996)

“Tropicalismo é aceitação, ascensão do subdesenvolvimento, por isso existe um cinema antes e depois do tropicalismo.” (ROCHA, Glauber. Tropicalismo, antropologia, mito, ideograma. In: PIERRE, Sylvie. Glauber Rocha. Campinas, SP: papirus, 1996)

“Esta relação antropofágica é de liberdade.” (ROCHA, Glauber. Tropicalismo, antropologia, mito, ideograma. In: PIERRE, Sylvie. Glauber Rocha. Campinas, SP: papirus, 1996)

“Com o sistema imperialista não se pode fazer concorrência, mas se faz um filme que chega diretamente ao inconsciente coletivo, à disposição mais verdadeira e profunda de um povo, então se pode até vencer.” (ROCHA, Glauber. Tropicalismo, antropologia, mito, ideograma. In: PIERRE, Sylvie. Glauber Rocha. Campinas, SP: papirus, 1996)

“É uma procura estética política que se move debaixo do signo de individualização do inconsciente coletivo, e para isso existe o aproveitamento de elementos típicos da cultura popular utilizados criticamente.” (ROCHA, Glauber. Tropicalismo, antropologia, mito, ideograma. In: PIERRE, Sylvie. Glauber Rocha. Campinas, SP: papirus, 1996)

“Nós somos um povo ligado historicamente à saga, à épica. Nós temos uma grande tradição filosófica; e é um mal. Mas seria um mal maior uma filosofia de importação que não corresponde à história. Por isto a antropofagia é mais importante.” (ROCHA, Glauber. Tropicalismo, antropologia, mito, ideograma. In: PIERRE, Sylvie. Glauber Rocha. Campinas, SP: papirus, 1996)

“Tínhamos de construir as estruturas e descobrir os cineastas. Isto foi feito. Agora existe uma mudança de tática, com um trabalho enorme para difundir as possibilidades do cinema.” (ROCHA, Glauber. Tropicalismo, antropologia, mito, ideograma. In: PIERRE, Sylvie. Glauber Rocha. Campinas, SP: papirus, 1996)

“Falar de mito e linguagem é fundamental. É o centro  do nosso problema. Se tendemos para uma revolução global, total, a linguagem deve ser compreendida no sentido marxista, como expressão da consciência.” (ROCHA, Glauber. Tropicalismo, antropologia, mito, ideograma. In: PIERRE, Sylvie. Glauber Rocha. Campinas, SP: papirus, 1996)

“Para nós o problema é de mais imediata compreensão, porque o analfabetismo leva a um tipo de percepção complexa e nós queremos desenvolver nosso cinema em uma dialética histórica permanente com a situação em movimento.” (ROCHA, Glauber. Tropicalismo, antropologia, mito, ideograma. In: PIERRE, Sylvie. Glauber Rocha. Campinas, SP: papirus, 1996)

“O cinema do futuro é Ideogramático. É uma difícil pesquisa sobre os signos. Para isto não basta uma ciência mas é necessário um processo de conhecimento e autoconhecimento que investe toda a existência e sua integração com a realidade. O mito é o ideograma primário e nos serve, temos necessidade dele para conhecermo-nos e conhecer. A mitologia, qualquer mitologia, é ideogramática e as formas fundamentais de expressão cultural artística a elas se referem continuamente. Depois poderemos desenvolver outras coisas, mas, este é um passo fundamental. O surrealismo para os povos latino-americanos é o tropicalismo.” (ROCHA, Glauber. Tropicalismo, antropologia, mito, ideograma. In: PIERRE, Sylvie. Glauber Rocha. Campinas, SP: papirus, 1996)

“O nosso não é o surrealismo do sonho, mas da realidade. Buñuel é um surrealista e seus filmes mexicanos são os primeiros filmes tropicalistas e antropofágicos.” (ROCHA, Glauber. Tropicalismo, antropologia, mito, ideograma. In: PIERRE, Sylvie. Glauber Rocha. Campinas, SP: papirus, 1996)

“A função histórica do surrealismo no mundo hispano-americano oprimido foi aquela de ser instrumento para o pensamento em direção de uma libertação anárquica, a única possível. Hoje utilizada dialeticamente, em sentido profundamente político, em direção do esclarecimento e da agitação.” (ROCHA, Glauber. Tropicalismo, antropologia, mito, ideograma. In: PIERRE, Sylvie. Glauber Rocha. Campinas, SP: papirus, 1996)

“O Cinema Ideogramático quer dizer isto: forma desenvolvida e aprofundada da consciência, a própria consciência, em relação direta com a construção das condições revolucionárias.” (ROCHA, Glauber. Tropicalismo, antropologia, mito, ideograma. In: PIERRE, Sylvie. Glauber Rocha. Campinas, SP: papirus, 1996)

“A excelente crítica de Bazin formou apenas Godard – embora Truffaut pudesse ser um grande cineasta se fizesse psicoanálise.” (ROCHA, Glauber. Tropicalismo, antropologia, mito, ideograma. In: PIERRE, Sylvie. Glauber Rocha. Campinas, SP: papirus, 1996)

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