Ficha de Leitura: SEMIÓTICA APLICADA, de Lúcia Santaella

INTRODUÇÃO

“[…] sobre a obra de Peirce, sempre adverti para o fato de que sua semiótica não é uma ciência especial ou especializada, como são ciências especiais a física, a química, a biologia, a sociologia, a economia etc., quer dizer, ciências que têm um objeto de estudo delimitado e de cujas teorias podem ser extraídas ferramentas empíricas para serem utilizadas em pesquisas aplicadas. Ela não é tampouco uma ciência especial como são especiais a linguística e outras correntes da ´semiótica que partem de bases linguísticas.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. XI-XII)

 

“Diferentemente de uma ciência especial,a semiótica de Peirce é uma das disciplinasque compõem uma ampla arquitetura filosófica concebida como ciência com um caráter extremamente geral e abstrato. Ela é um dos membros da tríade das ciências normativas – estética, ética e lógica ou semiótica -, estas antecedidas pela quase-ciência da fenomenologia e seguidas pela metafísica.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. XII)

 

“[…] há um bom tempo, venho repetindo […] que a arquitetura filosófica peirceana, de que a semiótica é apenas uma parte, constitui-se numa vastíssima fundação para qualquer tipo de investigação ou pesquisa de qualquer espécie que seja […]”(SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. XIII)

 

“Em vários artigos já publicados […], venho desenvolvendo a hipótese de que os signos estão crescendo no mundo.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. XII)

 

“[…] tenho considerado que a expansão semiosférica, quer dizer, a expansão do reino dos signos que está tomando conta da biosfera, longe de ser apenas fruto da insaciável produção capitalista, é parte de um programa evolutivo da espécie humana […]”(SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. XIV)

 

“A própria realidade está exigindo de nós uma ciência que dê conta dessa realidade dos signos em evolução contínua. Minha sugestão é a de que, na semiótica de Peirce, especificamente no seu primeiro ramo, o da gramática especulativa, podemos encontrar uma fonte de inestimável valor para enfrentarmos essa exigência.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. XIV)

 

“Entretanto, aplica a teoria dos signos peirceana não é uma tarefa simples […] Além do mais, especialmente quando falta um conhecimento mais profundo dos fundamentos e implicações filosóficas desses conceitos, seu uso pode degenear em uma mera pirotecnia terminológica estéril.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. XV)

 

“Por isso mesmo, as dificuldades com o método afetam muito mais intensamente os que pretendem trabalhar com a semiótica de extração peirceana do que aqueles que seguem outras correntes da semiótica, especialmente aquelas derivadas do estruturalismo […] um tema recorrente nas semióticas da cultura, especialmente as de linha soviética, é o tema da modelização, a língua como modelização primária que a modelização secundária dos outros sistemas de signos da cultura pressupõe […].
É em razão disso que venho chamando as semióticas não peirceanas de semióticas especiais, pois se trata de semióticas especializadas.
” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. XV, grifo GPESC)

 

 

1 – BASES TEÓRICAS PARA A APLICAÇÃO

O lugar da semiótica na obra de Peirce

A semiótica é uma das disciplinas que fazem parte da ampla arquitetura filosófica de Peirce. Essa arquitetura está alicerçada na fenomenologia, uma quase-ciência que investiga os modos como apreendemos qualquer coisa que aparece à nossa mente […] Essa quase-ciência fornece as fundações para as três ciências normativas: estética, ética e lógica, e estas, por sua vez, fornecem as fundações para a metafísica. Todas elas são disciplinas muito abstratas e gerais que não se confundem com ciências práticas. A estética, ética e lógica são chamadas normativas porque elas têm por função estudar ideais, valores e normas. Que ideais guiam nossos sentimentos? Responder essa questão é tarefa da estética. Que ideais orientam nossa conduta? Esta é a tarefa da ética. A lógica, por fim, estuda os ideais e normas que conduzem o pensamento.
A estética está na base da ética assim como a ética está na base da lógica. A estética visa determinar o que deve ser o ideal último, o bem supremo para o qual a nossa sensibilidade nos dirige.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 2)

 

“De acordo com Peirce, esse ideal é o admirável em si, aquilo que é pura e simplesmente admirável e, por isso mesmo, nos chama para si. Peirce concluiu que aquilo que atrai a sensibilidade humana, em qualquer tempo e espaço, é o crescimento da razoabilidade concreta, ou seja, o crescimento da razão criativa corporificada no mundo. Não pode haver nada mais admirável do que encorajar, permitir e agir para que ideias, condutas e sentimentos razoáveis tenham a possibilidade de se realizar. É para este admirável que nosso empenho ético e a força de nossa vontade devem ser conduzidos. Por ser o estudo do raciocínio correto, a lógica nos fornece os meios para agir razoavelmente, especialmente através do autocontrole crítico que o pensamento lógico nos ajuda a desenvolver.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 2-3)

 

“A lógica é a ciência das leis necessárias do pensamento e das condições para se atingir a verdade. Muito cedo, Peirce deu-se conta de que não há pensamento que possa se desenvolver apenas através de símbolos. Nem mesmo o raciocínio puramente matemático pode dispensar outras espécies de signos. Vem dessa descoberta a extensão da concepção peirceana da lógica para uma semiótica geral.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 3)

 

“[…] a lógica ou semiótica tem três ramos:

a gramática especulativa
a lógica crítica e
a metodêutica  ou retórica especulativa.

A gramática especulativa é o estudo de todos os tipos de signos e formas de pensamento que eles possibilitam. A lógica crítica toma como base as dversas espécies de signos e estuda os tipos de inferências, raciocínios ou argumentos que se estruturam através de signos. Esses tipos de argumentos são a abdução, a indução e a dedução. Por fim, tomando como base a validade e força que são próprias de cada tipo de argumento, a metodêutica tem por função analisar os métodos a que cada um dos tipos de raciocínio dá origem. Portanto, a metodêutica estuda os princípios do método científico, o modo como a pesquisa científica deve ser conduzida e como deve ser comunicada. Por isso, a metodêutica e a retórica especulativa compõem juntas o terceiro ramo da semiótica” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 3-4)

 

“A lógica crítica está baseada na gramática especulativa e a metodêutica está nbaseada na lógica crítica. Há pois uma relação de dependência dos níveis mais baixos aos níveis mais altos de classificação. A primeira divisão da semiótica, a gramática especulativa, está na base das outras duas.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 4)

 

“Muitas pessoas pensam que a semiótica peirceana se reduz apenas a esse seu primeiro ramo, o da teoria geral dos signos, esquecendo-se dos outros dois. Para Peirce, entretanto, esse primeiro ramo deve funcionar como uma propedêutica para o estudo da validade dos argumentos e das condições de verdade do método da ciência. De qualquer maneira, embora ese ramo da semiótica tenha uma natureza filosófica, ontológica e mesmo epistemológica mais ampla, que deveria ser propedêutica para a lógica e os métodos da ciência, também pode ser tomado de uma maneira reducionista, pode ser considerado na sua autonomia e pode valer por si mesmo, se nosso objetivo é analisar processos de signos existentes.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 4-5)

 

“De fato, a gramática especulativa nos fornece as definições e classificações para a análise de todos os tipos de linguagens, signos, sinais, códigos etc., de qualquer espécie e de tudo que está neles implicado: a representação e os três aspectos que ela engloba, a significação, a objetivação e a interpretação.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 5, grifo GPESC)

 

“Isso assim se dá porque, na semiótica de Peirce, o signo tem uma natureza triádica, quer dizer, ele pode ser analisado:

em si mesmo, nas suas propriedades internas, ou seja, no seu pode para significar
na sua referência àquilo que ele indica, se refere ou representa; e
nos tipos de efeitos que está apto a produzir nos seus receptores, isto é, nos tipos de interpretação que ele tem o potencial de despertar nos seus usuários.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 5)

 

“[…] a semiótica não é uma chave que abre para nós milagrosamente as portas de processos de signos cuja teoria e prática desconhecemos. Ela funciona como um mapa lógico que traça as linhas dos diferentes aspectos através dos quais uma análise deve ser conduzida, mas não nos traz nenhum conhecimento específico da história, teoria e prática de um determinado processo de signos. Sem conhecer a história de um sistema de signos e do contexto sociocultural em que ele se situa, não se pode detectar as marcas que o contexto deixa na mensagem.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 6)

 

A fenomenologia e a semiótica

“Entendemos por fenômeno, palavra derivada do grego phaneron, tudo aquilo, qualquer coisa, que aparece à percepção e à mente. A fenomenologia tem por função apresentar as categorias formais e universais dos modos como os fenômenos são apreendidos pela mente.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 7)

 

“Os estudos que empreendeu levaram Peirce à conclusão de que há três, e não mais do que três, elementos formais e universais em todos os fenômenos que se apresentam à percepção e à mente. Num nível de generalização máxima, esses elementos foram chamados de primeiridade, secundidade e terceiridade.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 7)

 

“A forma mais simples de terceiridade, segundo Peirce , manifesta-se no signo, visto que o signo é um primeiro (algo que se apresenta à mente), ligando um segundo (aquilo que o signo indica, se refere ou representa) a um terceiro (o efeito que o signo irá provocar em um possível intérprete).” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 7)

 

“Em uma definição mais detalhada, o signo é qualquer coisa de qualquer espécie (uma palavra, um livro, uma biblioteca, um grito, uma pintura, um museu, uma pessoa, uma manchan de tinta, um vídeo etc.) que representa uma outra coisa, chamada de objeto do signo, e que produz um efeito interpretativo em uma mente real ou potencial, efeito este que é chamado de interpretante do signo” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 8)

 

“Tomemos um grito, por exemplo, devido a propriedades ou qualidades que lhe são próprias (um grito não é um murmúrio) ele representa algo que não é o próprio grito, isto é, indica que aquele que grita está, naquele exato momento, em apuros ou sofre alguma dor ou regozija-se na alegria (essas diferenças dependem da qualidade específica do grito). Isso que é representado pelo signo, quer dizer, ao que ele se refere é chamado de seu objeto. Ora, dependendo do tipo de referência do signo, se ele se refere ao apuro, ou ao sofrimento ou à alegria de alguém, provocará em um receptor um certo efeito interpretativo: crrer para ajudar, ignorar, gritar junto etc. Esse efeito é o interpretante.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 8)

 

“Tanto quanto o próprio signo, o objeto do signo também pode ser qualquer coisa de qualquer espécie. Essa ‘coisa’ qualquer está na posição de objeto porque é representada pelo signo. O que define signo, objeto e interpretante, portanto, é a posição lógica que cada um desses três elementos ocupa no processo representativo.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 8, grifo GPESC)

 

“Quando a lógica triádica do signo fica clara para nós, estamos no caminho para compreender melhor porque a definição peirceana do signo inclui três teorias: a da significação, a da objetivação e a da interpretação.
– Da relação do signo consigo mesmo, isto é, da natureza do seu fundamento, ou daquilo que lhe dá capacidade para funcionar como tal […] advém uma teoria das potencialidades e limites da significação.
– Da relação do fundamento com o ojeto, ou seja, com aquilo que determina o signo e que é, ao mesmo tempo, aquilo que o signo representa e ao qual se aplica, e que pode ser tomado em sentido genérico como o contexto do signo, extrai-se uma teoria da objetivação, que estuda todos os problemas relativos à denotação, à realidade e referência, ao coumento e ficção, à mentira e decepção.
– Da relação do fundamento com o interpretante, deriva-se uma teoria da interpretação, com as implicações quanto aos seus efeitos sobre o intérprete, individual ou coletivo.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 9-10)

 

“Neste ponto, não se pode esquecer de que a semiótica está alicerçada na fenomenologia. Por isso, há signos de terceiridade, isto é, signos genuínos, mas há também quase-signos, isto é, signos de secundidade e de primeiridade. Vem daí por que Peirce levou a noção de signo tão longe […]”(SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 10)

 

“Qualquer coisa que esteja presente à mente tem a natureza de um signo. Signo é aquilo que dá corpo ao pensamento, às emoções, reações etc.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 10)

 

“[…] os efeitos interpretativos que os signos provocam em um receptor também não precisam ter necessariamente a natureza de um pensamento bem-formulado e comunicável, mas podem ser uma simples reação física (receber uma carta e jogá-la fora) ou podem ser ainda um mero sentimento ou compósito vago de sentimentos” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 11)

 

 

O que dá fundamento ao signo?

“Se qualquer coisa pode ser um signo, o que é preciso haver nela para que possa funcionar como signo? Para Peirce, entre as infinitas propriedades materiais, substanciais etc. que as coisas têm, há três propriedades formais que lhes dão capacidade para funcionar como signo: sua mera qualidade, sua existência, quer dizer, o simples fato de existir, e seu caráter de lei. Na base do signo estão, como se pode ver, as três categorias fenomenológicas.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 12, grifos GPESC)

 

“Pela qualidade, tudo pode ser signo, pela existência, tudo é signo, e pela lei, tudo deve ser signo.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 12)

 

“Quando funciona como signo, uma qualidade é chamada de quali-signo.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 12)

 

“Ora, uma simples cor, como o ‘azul-claro’, imediatamente produz uma cadeia associativa que nos faz lembrar céu, roupa de bebê etc.; por isso mesmo, esse tom de azul costuma ser chamado de azul-celeste ou azul-bebê. A mera cor não é o céu, não é a roupa de um bebê, mas lembra, sugere isso. Esse poder de sugestão que a mera qualidade apresenta lhe dá capacidade de funcionar como signo, pois, quando o azul lembra o céu, essa qualidade da cor passa a funcionar como quase-signo do céu.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 12)

 

“O existente funciona assim como signo de cada uma e potencialidade de todas as referências a que se aplica, pois ele age como uma parte daquilo para o que aponta. Essa propriedade de existir, que dá ao que existe o poder de funcionar como signo, é chamada de sin-signo, onde ‘sin’ quer dizer singular” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 13)

 

“Sua pessoa emite sinais para uma infinidade de direções: o modo de se vestir, a maneira de falar, a língua que fala, o que escolhe dizer, o conteúdo do que diz, o jeito de olhar, de andar, sua aparência em geral etc. são todos estes, e muitos outros mais, sinais que estão prontos para significar, latentes de significado.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 13)

 

“A ação da lei é fazer com que o singular se conforme, se amolde à sua generalidade […] Quando algo tema propriedade da lei, recebe na semiótica o nome de legi-signo e o caso singular que se conforma à generalidade da lei é chamado de réplica.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 13)

 

“Acima descritas estão as três propriedades que habilitam as coisas a agirem como signos. Essas propriedades não são excludentes. Na maior parte das vezes, operam juntas, pois a lei incorpora o singular nas suas réplicas, e todo singular é sempre um compósito de qualidades. Quase todas as coisas, se não todas, estão sempre sob o domínio da lei, de modo que, no mais das vezes, as três propriedades estão operando conjuntamente. Há certas situações muito particulares e até mesmo privilegiadas, entretanto, em que a propriedade puramente qualitativa fica proeminente, o que é o caso da arte, da música, da poesia, por exemplo. Há também situações em que domina a singularidade cega do puro acontecer, no exílio de qualquer lei.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 14, grifo GPESC)

 

 

A que os signos se referem?

“Se o fundamento é um quali-signo, na sua relação com o objeto, o signo será um ícone; se for um existente, na sua relação com o objeto, ele será um índice; se for uma lei, será um símbolo.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 14)

 

“Quando pronunciamos uma frase, nossas palavras falam de alguma coisa, se referem a algo, se aplicam a uma determinada situação ou estado de coisas. Elas têm um contexto. Esse algo a que elas se reportam é o seu objeto dinâmico. A frase é o signo e aquilo sobre o que ela fala é o seu objeto dinâmico.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 15)

 

“[…] os signos só podem se reportar a algo, porque, de alguma maneira, esse algo que eles denotam está representado dentro do próprio signo. O modo como o signo representa, indica, se assemelha, sugere, evoca aquilo a que ele se refere é o objeto imediato. Ele se chama imediato porque só temos acesso ao objeto dinãmico através do objeto imediato, pois, na sua função mediadora, é sempre o signo que nos coloca em contato com tudo aquilo que costumamos chamar de realidade.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 15, grifo GPESC)

 

“dependendo da natureza do fundamento do signo, se é uma qualidade, um existente ou uma lei, também será diferente a natureza do objeto imediato do signo, e, consequentemente, também será diferente a relação que o signo mantém com o objeto dinâmico. Vem daí a classificação dos signos em ícones, índices e símbolos. Assim, o objeto imediato de um ícone só pode sugerir ou evocar seu objeto dinâmico. O objeto imediato de um índice indica seu objeto dinâmico e o objeto imediato de um símbolo representa seu objeto dinâmico.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 16)

 

“Vem dessa distinção tripartite a divisão dos objetos imediatos em três tipos: descritivos, designativos e copulantes. No caso do quali-signo icônico, seu objeto imediato tem sempre um caráter descritivo, pois estes determinam seus objetos dinâmicos, declarando seus caracteres. No caso do sin-signo indicial, seu objeto imediato é um designativo, pois dirige a retina mental do intérprete para o objeto dinãmico em questão. No caso do legi-signo simbólico, seu objeto imediato tem a natureza copulante, pois meramente expressa as relações lógicas destes objetos com seu objeto dinâmico.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 16)

 

“Quando o objeto imediato é um descritivo, o objeto dinâmico é um possível e o signo em si mesmo, um abstrativo. Por exemplo: a palavra beleza ou ‘o belo’ é um signo abstrativo que tem por objeto imediato um descritivo cujo objeto dinâmico só pode ser um possível, quer dizer, todas as coisas que foram, são e serão possivelmente belas.
Quando o objeto imediato é um designativo, quer dizer, quando dirige a mente do intérprete para seu objeto dinâmico, este só pode ser uma ocorrência, coisa existente ou fato atual do passado ou futuro. Nesse caso, o signo em si é um concretivo, quer dizer, algo concreto, existente.
Quando o objeto imediato é um copulante, apresentando relações lógicas, o objeto dinâmico é um necessitante, algo de caráter geral, um tipo, e o signo em si é um coletivo.” (SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008, p. 16-17)

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