Mostra Cavalcanti

MOSTRA CAVALCANTI

De 23 a 27 de abril de 2012

Auditório Henrique Fontes

(Campus da UFSC, Bloco B do CCE)

 

De 23 a 27 de abril, acontece na UFSC a Mostra Cavalcanti, com exibição de onze filmes de Alberto Cavalcanti, apresentação de trabalhos de pesquisa e debates (programação em anexo). A Mostra é a primeira do projeto Punctum: cinema e pensamento, do Curso de Cinema da UFSC, que visa reunir trabalhos em torno de temas relativos aos filmes e publicá-los, junto com os debates gravados, na Punctum, a revista do Curso (www.punctum.ufsc.br).

    Essa primeira mostra foi motivada pelo interesse crescente de alunos e professores em resgatar e principalmente reler Alberto Cavalcanti, figura emblemática de paradoxos e preconceitos centrais à(s) história(s) do cinema. Nascido no Rio de Janeiro em 1897, Cavalcanti esteve no centro de momentos cruciais, trabalhando como diretor (de 58 filmes), roteirista, cenógrafo, diretor de som, de arte, montador, desenhista de produção, figurinista, arquivista e ator. Começou como assistente de L’Herbier em Paris, tornando-se em seguida nome central da vanguarda francesa dos anos 20 (Rien que les heures é exemplo disso e estará na Mostra). Nos anos 30 inicia, com John Grierson, no General Post Office Film Unit (GPO), a tradição do documentário inglês, hoje especialmente produtiva – Coal Face e Night Mail, do GPO, também serão exibidos. Na mesma época, torna-se um dos principais desenvolvedores da tecnologia e da estética do som no cinema, e dessa fase a Mostra inclui Went the Day Well? e Dead of Night.

    Em 1949, único cineasta brasileiro com experiência internacional significativa, Cavalcanti volta ao Brasil a convite de Assis Chateaubriand e, trazendo técnicos da Europa, assume a direção artística da Companhia Vera Cruz, iniciativa industrial ambiciosa que enfrenta oposição ferrenha e complexa, tanto da direita quanto da esquerda – até sua vida privada é revirada na imprensa. Nos anos 50, depois de filmar O canto do mar (filme que abre a Mostra), volta à Europa onde conhece Bertolt Brecht (e filma seu Herr Puntila, que estará na Mostra) e Joris Ivens, trabalhando também, em vários países, com teatro e televisão. Morre em 1982 em Paris.

    Apesar das retrospectivas, biografias, e edições de cópias em dvd, Cavalcanti é ainda pouco conhecido do público. O interesse crescente de pesquisadores em torno dele faz ver todo um universo de conceitos e atitudes capazes de revolver e desativar muitas certezas quanto a arte, estética, história, nacionalidade, gênero etc.

 

Convidados

    A cada dia a Mostra exibe cerca de duas horas de filmes e logo em seguida vêm as apresentações e os debates. No primeiro dia, segunda, 23 de abril, o convidado seráRodrigo de Haro, cinéfilo apaixonado que conheceu Cavalcanti e que tem em O canto do mar um embalo decisivo em sua vida de poeta e artista plástico.

    Na terça, André Zacchi, mestrando em Literatura e formando em Cinema na UFSC, propõe uma leitura de filmes de Cavalcanti dos anos 30 e 40 (principalmente Night Mail,Went the Day Well? e Dead of Night) a partir de seu trabalho de Mestrado, voltado principalmente ao inumano. O debatedor será seu colega de Mestrado Lucian Chaussard, também formado em Cinema na UFSC, participante da seleção de filmes dos festivais Fam e Faça e crítico da revista Contracampo.

    Na sexta-feira, último dia, a pesquisadora Marina Moros, com Mestrado e Doutorado em Literatura na UFSC, apresenta trabalho em torno de sua atual pesquisa de Pós-doutorado, também na UFSC, em torno dos documentários de Cavalcanti, em sua relação com conceitos como o de soberania – falará principalmente de Coal Face eRien que les heures. A debatedora será sua supervisora, Carmen Rial, do Departamento de Antropologia e dos programas de pós-graduação em Antropologia e Ciências Humanas da UFSC, além de coordenadora do Núcleo de Antropologia Audiovisual (Navi), com pós-doutorado na mesma área pela École de Hautes Études em Sciences Sociales.

    Na quarta e na quinta, os debates serão conduzidos pelos professores Antonio Carlos Santos, da Pós-Graduação em Ciências da Linguagem da Unisul, e Luiz Felipe Soares, do curso de Cinema e da Pós em Literatura da UFSC (ambos tendo feito também mestrado e doutorado em Literatura na UFSC).

 

Os filmes

23/4, segunda feira

  • O canto do mar (1952), 124 min: produção posterior à Vera Cruz, já para a Kino Filmes, do Rio. Experimentação no humanismo realista, enfocando a seca no Nordeste e suas consequências. Participação no roteiro de José Mauro de Vasconcelos, música de Guerra Peixe, fotografia exuberante de Cyril Arapoff e Paolo Reale. Com Luiz Andrade, Glauce Bandeira, Fernando Becker, Aurora Duarte.

24/4, terça feira

  • Night Mail (1936), 25 min: produção do General Post Office, a partir do poema de Wystan Hygh Auden, dirigido com Harry Watt e Basil Wright. Cavalcanti faz o som do filme, de desenho sofisticado. Com John Grierson.
  • Went the Day Well? (1942), 92 min: produção da inglesa Ealing (onde Cavalcanti trabalha depois de se afastar do GPO), tematizando a possível invasão da Inglaterra pelo exército alemão na Segunda Guerra. Com Leslie Banks, C. V. France, Valerie Taylor.

25/4, quarta feira

  • La P’tite Lili (1927), 15min: segundo filme de Cavalcanti, feito na França, com curiosa experimentação de texturas. Com Catherine Hessling (modelo de Auguste Renoir) e com Jean Renoir (no papel do proxeneta).
  • We Live in Two Worlds (1937), 15 min: produção do GPO (co-produção com a Suíça), com texto e voz de J. B. Priestley, sobre nacionalidade e cruzamento de fronteiras.
  • Herr Puntila und sein Knecht Matti (1960), 97 min, colorido: comédia musical, adaptação do texto de Brecht, co-produção entre Áustria e ex-Alemanha Oriental. Com Curt Bois, Heinz Engelmann e Maria Emo.

26/4, quinta feira

  • Yellow Caesar (1941), 24 min: produção da Ealing, debochando da figura de Mussolini, com montagem brincalhona de trechos de documentários e reportagens cinematográficas, alternados com desenhos (de Feliks Topolski). Marcel King, Sam Lee, Max Spiro e Jack Warrock imitam a voz de Mussolini.
  • Dead of Night (1945), 103 min: produção da Ealing. Personagens se reúnem numa casa e contam histórias estranhas. Cavalcanti dirige os segmentos Christmas Party e The Ventriloquist’s Dummy – nesse último um boneco de ventríloquo ganha vida. Parcialmente baseado em H. G. Wells. Com Mervyn Johns, Roland Culver, Mary Merrall, Googie Withers, Frederick Valk.

27/4, sexta feira

  • Capitain Fracasse (1928), 92 min: produção francesa, adaptação do romance de Téophile Gautier, em que o capitão recebe uma trupe de teatro e se apaixona por uma das atrizes. Com Pierre Blanchar, Lien Deyers, Charles Boyer.
  • Rien que les heures (1926), 35 min: produção francesa, experimentação com enquadramento, iluminação, montagem, imagens fragmentadas, como que acompanhando cenas de Paris referidas aos choques modernos. Com Blanche Bernis, Nina Chousvalowa, Philippe Hériat, Clifford McLaglen.
  • Coal Face (1936), 11 min: produção do GPO, também a partir de texto de Wystan Hygh Auden (assim comoNight Mail), enfocando, com criatividade e imprevisibilidade de enquadramento e montagem, gestos de trabalhadores em minas de carvão. Com a voz do próprio Auden.

 

 

Filmografia de Alberto Cavalcanti (cf. http://www.imdb.com/name/nm0146709/):

La visite de la vieille dame (TV, 1971) / Les empaillés (TV, 1969) / Story of Israel (1967) / Yerma (1962) / The Monster of Highgate Ponds (1961) / Herr Puntila und sein Knecht Matti (1960) / La prima notte (1959) / A Rosa-dos-Ventos (segmento da Rússia) (1957) / Mulher de Verdade (1954) / O Canto do Mar (1952) / Simão o Caolho (1952) / For Them That Trespass (1949) / The First Gentleman (1948) / They Made Me a Fugitive (1947) / The Life and Adventures of Nicholas Nickleby (1947) / Dead of Night(segmentos Christmas Party e The Ventriloquist’s Dummy) (1945) / Champagne Charlie (1944) / The Halfway House (1944) /Waterlight (1943) / Went the Day Well? (1942) / Alice in Switzerland (1942) / Film and Reality (1942) / Yellow Caesar (1941) / A Midsummer Day’s Work (1939) / Men of the Alps (1939) / Four Barriers (1938) / Mony a Pickle (1938) / The Line to Tschierva Hut(1937) / We Live in Two Worlds (1937) / Who Writes to Switzerland (1937) / Message from Geneva (1936) / Coal Face (1935) /Pett and Pott: A Fairy Story of the Suburbs (1934) / New Rates (1934) / The Glorious Sixth of June (1934) / Coralie et Cie (1933) /Le mari garçon (1933) / Plaisirs défendus (1933) / En lisant le journal (1932) / Le jour du frotteur (1932) / Le truc du Brésilien(1932) / Nous ne ferons jamais le cinéma (1932) / Revue montmartroise (1932) / Tour de chant (1932) / À mi-chemin du ciel(1931) / Les vacances du diable (1931) / Dans une île perdue (1931) / A Canção do Berço (1930) / Toute sa vie (1930) / Le petit chaperon rouge (1930) / Rien que les heures (1930) / Vous verrez la semaine prochaine (1930) / Le capitaine Fracasse (1929) / La jalousie du barbouillé (1929) / En rade (1928) / Yvette (1928) / La p’tite Lili (1927) / Le train sans yeux (1927)

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