Pesquisas Realizadas

Semiótica Crítica: por uma teoria das materialidades na comunicação

Semiótica Crítica: por uma teoria das materialidades na comunicação é um projeto de pesquisa de cunho teórico, inserido no campo das teorias da comunicação não-hermenêuticas, voltadas aos estudos dos agenciamentos maquínicos que produzem os signos a partir dos quais a comunicação se torna acontecimento. Este projeto tem o propósito de demonstrar criticamente em que medida as teorias semióticas revisitadas por pensadores pós-estruturalistas podem contribuir na constituição de uma teoria das materialidades na comunicação. Para tanto, desenvolve algumas ações: (1) revisita o materialismo histórico (Marx) e os estudos das materialidades na literatura (Gumbrecht) e nas mídias (McLuhan) para discutir os limites e as potencialidades de uma teoria das materialidades na comunicação; (2) retoma os modelos semióticos fundados no princípio da imanência como a estratificação da linguagem (relações entre planos de expressão e conteúdo, matéria, forma e substância), o papel instituinte do representâmen, a função da semiosfera como expressão sistêmica, a cadeia significante – para circunscrever as possibilidades que a semiótica ainda tem de dar respostas satisfatórias ao problema das materialidades na comunicação; e (3) identifica, no escopo da produção pós-estruturalista, conceitos que poderiam dar lugar ao que aqui chamamos de terceira geração da semiótica, sendo a primeira identificada com a descoberta da semiótica no século XX, com Peirce e Saussure, e a segunda com o desenvolvimento das mais diversas classificações de signos e de modelos explicativos gerais, na perspectiva de Barthes, Hjelmslev, Greimas, Lotman, Eco. A esta terceira geração, influenciada pelo pensamento de Derrida, Deleuze, Foucault e Latour, denominamos semiótica crítica.

 

Teorias em dispersão dos cineastas brasileiros sobre o audiovisual: arqueologia, semiótica e desconstrução (2009-2013)

Teorias em dispersão dos cineastas brasileiros sobre o audiovisual: arqueologia, semiótica e desconstrução investiga em diferentes registros – verbais e não-verbais – procedimentos metalinguísticos e meta-semióticos que expressam sistemas de significações que indiciam teorias de cineastas sobre o audiovisual. Tais teorias, em devir, encontram-se dispersas entre artigos, entrevistas e filmes realizados por Glauber Rocha, Júlio Bressane e Rogério Sganzerla, cineastas cujas produções constituem o corpus desta pesquisa. O procedimento metodológico envolve três etapas: Arqueologia, Semiótica e Desconstrução. À Arqueologia, cabe a identificação de traços teóricos em dispersão e de suas regras de visibilidade; à Semiótica, a sistematização das semioses engendradas pelos diferentes registros referidos, e à Desconstrução, a transformação regulada do que já foi escrito na forma de uma teoria sobre o audiovisual. A pesquisa, que segue estudos já realizados por Jacques Aumont sobre as teorias de cineastas europeus e norte-americanos, enfoca cineastas brasileiros e pretende responder (1) aos desafios da Linha de Pesquisa Linguagem e culturas da imagem, especialmente no que se refere aos processos de significação e de sentido, e (2) aos desafios do Diretório CNPq Audiovisualidades, na perspectiva da implementação de investigações sobre o audiovisual que não se reduzam às mídias que os atualizam, mas que enfoquem metodologicamente os processos semióticos virtuais que os geram.

 

Devires de Imagem-música (2006 – 2008)

Enfoca relações semióticas entre imagem e música na televisão brasileira cuja autonomização na forma imagem-música veio a posteriori, com o desenvolvimento de suportes digitais. A pesquisa parte, para tanto, da desconstrução do conceito de imagem-música, que é configurado pelo modo matemático como são produzidos digitalmente imagens e sons, para tornar visíveis seus devires, expressos em alguns programas, especialmente naqueles comandados por Elis Regina, que, segundo Augusto de Campos (1993), foi a primeira cantora produzida pela televisão brasileira. Ao considerar as gramáticas audiovisuais, a pesquisa identifica, neste escopo, variabilidades de gêneros e formatos na programação musical de televisão e descreve algumas modalidades de articulações entre linguagens, considerando as estratégias de reapresentação (eventos musicais televisionados), de consolidação da linguagem propriamente televisiva-musical (programas musicais feitos pela e para a televisão) e de autonomização pelos modos digitais de produção que não mais reapresentam imagens e músicas, mas as inventam como imagem-música.

 

Projeto de Cooperação Mútua Capes/Cofecub: Comunicação visual: gêneros e formatos (2005 – 2006)

Proposta de cooperação e intercâmbio de pesquisadores docentes e alunos entre o Centre d´Études sur l Image et le Son Médiatiques (CEISME), Universidade de Paris III, e a Linha de Pesquisa Mídias e Processos de Significação (LP1) do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCC), Universidade do Vale do Rio dos Sinos, tem em vista o desenvolvimento qualificado de pesquisas sobre os processos de produção de sentido das mídias televisuais, centradas nas noções de gênero e de formato. A noção de formato reúne diferentes eixos de pesquisas desenvolvidas nesses dois centros sobre as relações entre (1) formatos, gêneros e subgêneros; (2) formatos e tom; (3) formatos e diferentes tipos de publicidade/propaganda; (4) formatos e usos sociais; (5) formatos e apropriações feitas pelas outras mídias. A partir de alguns conceitos gerais, comuns aos diferentes modelos teórico-metodológicos adotados, cada pesquisador, independente de seu direcionamento teórico, terá condições de agregar os conhecimentos advindos de sua pesquisa. Assim, tal proposta atende ao objetivo de fortalecimento da LP1, hoje com oito professores pesquisadores, seis dos quais desenvolvendo pesquisas no campo específico da produção audiovisual, muito próximas das investigações produzidas no CEISME. O roteiro de atividades previstas neste intercâmbio, a ser cumprido pelos pesquisadores e alunos, participantes dos dois núcleos de investigação congregados pelo projeto de cooperação, previa o desenvolvimento de pesquisas, a organização de ciclos de conferências e minicursos, a participação em seminários, a realização de reuniões dos grupos de pesquisa (LP1 e CEISME) e publicações conjuntas.

 

Devires minoritários na construção midiática de brasilidades (2003 – 2005)

O projeto aborda três problemáticas concernentes, direta ou indiretamente, à comunicação: a dos devires e da ação política das minorias, a do dispositivo midiático em suas formas atualizadas e virtuais e a da criação de brasilidades, compreendidas como vetores de afirmação de identidades nacionais em potência. Essas três problemáticas articulam diferentes níveis de uma mesma questão: os estudos da comunicação em uma perspectiva pós-midiática. No primeiro nível, o dos devires e da ação das minorias, a abordagem é, sobretudo, conceitual: parte-se dos estudos de Gilles Deleuze, Félix Guattari e Antônio Negri para demonstrar operacionalmente como os devires se constituem em objeto legítimo de estudos de comunicação: a comunicação das multidões. No segundo, o das mídias como dispositivo, desloca-se a centralidade dos estudos das mídias para o dos processos midiáticos, observando, ali, diferentes modalidades de agenciamentos capazes de se expressar no terceiro nível: o das brasilidades. Aqui, a referência fundamental é a semiótica de Charles Sanders Peirce. No terceiro nível, o das brasilidades, são realizados alguns ensaios sobre as obras de Glauber (O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro), Bressane (Matou a família e foi ao cinema) e Nelson Rodrigues (A Falecida), e a música de Elis Regina nos programas televisivos que estatuíram uma forma particular de relação entre imagem e música na televisão. Neste nível, o estatuto da memória (Bergson) – aqui denominada memória audiovisual –, surge como vetor relevante à compreensão das lógicas da comunicação em perspectiva pós-midiática.

 

Elementos para uma comunicação pós-midiática  (1999 – 2003)

Elementos para uma comunicação pós-midiática objetiva discutir perspectivas para estudos de comunicação que queiram integrar-se ao paradigma Ecosófico cujo fundamento consiste na indissociabilidade das funções estéticas, éticas e políticas para se contrapor às estratégias de dominação impostas pelo Império. Para tanto, propõe um deslocamento no campo da comunicação dos estudos das mídias atualizadas em diferentes suportes para o estudo dos diagramas que configuram os movimentos de criação que vão das comunicações virtuais, cujas características são as hecceidades, para possíveis atualizações, que configuram o universo reconhecidamente midiático. Partindo de uma perspectiva metodológica de modelo rizomático, são propostos alguns elementos que podem constituir o campo da comunicação como pós-mídia. São eles o sentido, o objeto dinâmico e os repertórios materiais e semantemas, que vão se desdobrar em sub-elementos capazes de especificar as operações semióticas de passagem de uma lógica das formas para uma lógica do sentido, reconhecendo, nesta última, um poder de gênese criativo próprio das multidões não redutíveis a indivíduos ou a instituições codificáveis. Essa articulação diagramática entre o incomensurável (multidão) e suas atualizações formalizadas em qualidades, existências e leis constitui o objeto próprio de uma comunicação pós-midiática que se quer máquina de guerra capaz de enfrentar o Império.

 

A dispersão na semiótica das minorias (1996-1999)

A dispersão na semiótica das minorias estuda as semioses engendradas pelas minorias, no jornal Folha de São Paulo, como atos de comunicação. Tal perspectiva, ao impor a primazia dos processos de comunicação sobre os sistemas de significação, desloca o foco da pesquisa das teorias dos códigos para as teorias da produção sígnica, aqui abordadas do ponto de vista das dispersões que produzem em relação à cultura das mídias, hegemônica nas sociedades capitalistas ocidentais. Entre as diversas opções capazes de tematizar minorias, este trabalho aborda aquelas associadas aos regimes sexuais e racistas, por se considerar que esses regimes caracterizam as comunicações no século XX. Assim, as homossexualidades tematizam as dispersões no âmbito da sexualidade e os racismos constituem as técnicas que estabelecem o contexto em que negros, muçulmanos, estrangeiros, índios, latino-americanos e homossexuais são identificáveis. A escolha das minorias como tema e a definição da dispersão como metodologia capaz de reconhecer, por indicialidade, regimes de signos diferentes desse hegemônico que se mantém pela diluição dos sentidos, constituem a proposta desse trabalho, cujo objetivo geral a construção de uma semiótica das minorias só poderá ser alcançado se articulado com outros fazeres, talvez acadêmicos, comprometidos com a produção de sentidos.

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