Quarta Edição

edição 4 ♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦

SEMIÓTICA REVISTA

2013/2 ♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦

◊ multidão e micropolíticas 

Nicholas Brown e Imre Szema

Entrevista: O que é a Multidão? Questões para Michael Hardt e Antonio Negri

Multidão, livro mais recente de Michael Hardt e Antonio Negri, é uma tentativa de nomear e compreender as condições que envolvem a dinâmica social do século xxi. Na entrevista a seguir, Hardt e Negri discorrem sobre as possibilidades de constituição da multidão como agente político, discutem os fundamentos do livro e defendem conceitos que consideram determinantes para a compreensão dos novos tempos, tais como biopolítica e biopoder.

Hélio Rebello Cardoso Jr.

Ontopolítica e diagramas históricos do poder: maioria e minoria segundo Deleuze e a teoria das multidões segundo Peirce

Este artigo procura desenvolver o âmbito da assim chamada ontopolítica como contribuição original do pensamento do G. Deleuze para a filosofia política contemporânea. Com este objetivo, veremos que Deleuze toma o conceito de poder em Foucault e lhe confere alçada ontológica. Este conceito de poder dá acesso a outro elemento importante da filosofia política deleuzeana, ou seja, o estudo dos diagramas históricos do poder nas denominadas sociedades disciplinar e de controle. Com o diagrama de funcionamento das mesmas podemos entender qual o retrato deleuzeano para a democracia em sociedades contemporâneas. Adentrando a ontopolítica deleuzeana, nos dedicaremos aos conceitos de maioria, minoria e devir-minoritário. É neste ponto que se faz o encontro da ontopolítica de Deleuze com a ontologia matemática de Ch. Sanders Peirce. Acontece que os conceitos ontopolíticos de Deleuze, além de sua vinculação com uma ontologia do poder, recebem também um tratamento matemático, tendo em vista certas noções aritméticas (contável e não contável) e geométricas (linhas). As maiorias e minorias são conjuntos contáveis que são atravessados por devires não contáveis. Com isso, chegaremos ao ponto central do presente artigo, onde realizamos uma incursão inicial à imagem dos conceitos de maioria e minoria em Deleuze, com base na teoria das coleções e multidões de C. S. Peirce, principalmente com relação à ontologia matemática nela incluída. Quanto a isso, a principal operação será mostrar de que forma a distinção deleuzeana entre maiorias/minorias contáveis e devir-minoritário não contável pode ser escandida em termos de coleções discretas denominadas enumeráveis, denumeráveis e abnumeráveis ou pós-numeráveis, de acordo com a terminologia de Peirce.

◊ peirce e a teoria da comunicação 

Ciro Marcondes Filho

Esquecer Peirce? Dificuldades de uma teoria da comunicação que se apoia no modelo lógico e na religião (parte 1)

Grande parte das teorias da comunicação está fora de moda. A semiótica, especialmente a peirceana, aparece como uma das opções mais atuais na área. Entretanto, ela não dá conta das exigências do momento porque está presa a um referencial lógico-matemático que a leva ao logocentrismo e à metafísica, apresenta trilogias vacilantes, sugere um diagrama dificilmente aplicável a conceitos filosóficos abstratos, apóia-se na religião, e last but not least, está sendo usada para compromissos escusos com as novas formas de poder.

Winfried Nöth

A teoria da comunicação de Charles S. Peirce e os equívocos de Ciro Marcondes Filho

Este artigo apresenta uma resenha crítica do artigo “Esquecer Peirce?” de Ciro Marcondes Filho na qual o autor defende a tese de que a obra de C. S. Peirce não apresenta nenhuma contribuição à teoria da comunicação. O artigo esboça alguns dos elementos da teoria da comunicação peirciana e discute em detalhes que a tese de Marcondes é inválida por estar baseada em evidência textual insuficiente e fontes não qualificadas.

Ciro Marcondes Filho

Esquecer Peirce? Dificuldades de uma teoria da comunicação que se apoia no modelo lógico e na religião (parte 2)

No primeira parte deste ensaio, que comenta a semiótica peirceana, falou-se que Peirce é, antes de tudo, um lógico e um metafísico, não um teórico da comunicação. Apoiando-se na ideia de que todo real é racional, busca enquadrar em suas vacilantes trilogias todas as interpretações sob uma lei do signo e um imperativo do código. Seu rigor lógico-positivista não prevê espaçopara objetos da percepção nem para o extralinguístico. Nesta segunda parte, comentam-se os limites do método diagramático, a tendência paradoxal de sua regressão infinita terminar na ideia e na metafísica religiosa. E, last but not least, fala-se do uso da semiótica para compromissos escusos com as novas formas de poder.

◊ DOSSIÊ GPESC 

Alexandre Rocha da Silva, André Corrêa da Silva de Araujo, Jamer Guterres de Mello, Marcelo Bergamin Conter

Deleuze e a semiótica crítica

Este artigo revisita a obra de Gilles Deleuze procurando identificar os pontos de passagem de uma semiótica formal a uma semiótica política. Trata-se de um sentido de imanência radical que indica a univocidade do ser como o dispositivo por excelência que faz de sua semiótica uma semiótica crítica. Buscamos verificar de que maneira Deleuze contribui para que se pense esta semiótica crítica a partir do debate que faz sobre o estruturalismo, os regimes de signos, a estratificação da linguagem, o sentido e os planos de consistência e de imanência. Desta forma, tentamos mostrar a importância de uma ideia de máquina abstrata que não se reduz nem aos possíveis previstos pelas estruturas nem às formas realizadas dos objetos ou dos sujeitos, mas que afirma a potência de um virtual que se diferencia de si explorando línguas menores, devires inauditos, desterritorializados.

Alexandre Rocha da Silva e André Corrêa Araujo

Percursos para uma semiótica crítica

Percursos para uma semiótica crítica tem por objetivo principal discutir a tese de que a
linguagem é antes uma questão de política que de linguística. Para tanto, adota alguns procedimentos. Em primeiro lugar, caracteriza três fases do desenvolvimento da semiótica
no século XX: a da descoberta, com Saussure e Peirce; a dos modelos e classificações; e a
da crítica pós-estruturalista, foco deste estudo. Em segundo lugar, no âmbito desta crítica
pós-estrutural, caracteriza alguns vetores que sustentam o projeto de uma semiótica crítica: as materialidades, o acontecimento e as micropolíticas. Com tais relações problematizadas, o artigo procurou demonstrar que, reformulada, a semiótica permanece uma epistemologia em movimento contínuo de autogeração, aberta a críticas que a fizeram diferenciar-se de si para responder às questões postas aos problemas da linguagem e da comunicação no tempo presente.

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