Terceira Edição

Semiótica e Informação – Júlio Pinto

Demonstra-se a necessidade de se pensar também semioticamente a noção de informação,
através do argumento básico de que toda a informação a que temos acesso é
necessariamente veiculada através de signos em três modos, a que chamamos de
primeiridade, segundidade e terceiridade, as três categorias da experiência de acordo com
C. S. Peirce. Conclui-se que, do ponto de vista semiótico, a informação somente se constitui
a partir de sua inserção, por um sujeito, no processo de semiose.

Da cultura e das práticas significantes. A importância de uma visão semiótica da cultura para os estudos em comunicação – Eliana Pibernat Antonini

O presente artigo visa repensar a importância dos estudos semióticos na prática
comunicacional, entendidos como lógica do conhecimento e da produção de sentido,
passíveis de serem revistos aqui como uma noção interdisciplinar de cultura que abrange
os mais diversos campos das áreas do fazer e do dizer humano. Promove a reflexão entre as teorias mais conhecidas e os estudos ligados à cultura e predominantemente à noção de
semiosfera, criada por Iuri Lotman num diálogo com a posição já clássica de Umberto Eco,
onde todo ato de significação é um ato de comunicação e, conseqüentemente, de cultura.
Recupera, igualmente, algumas das contribuições deste autor naquilo em que pretende
atender à multiplicidade, à diversidade, à polissemia de significações, que revestem as mais
diferentes óticas do viés cultural somado ao comunicacional.

A construção da metáfora “Sociedade do Espetáculo” e sua inserção nas Ciências Humanas – Carmem Lúcia José, Fábio Sadao Nakagawa, Marlivan Moraes de Alencar, Michiko Okano e Regiane Miranda de Oliveira Nakagawa

Ao longo da história do pensamento comunicacional, talvez nenhum outro conceito tenha se
tornado tão afamado e citado quanto a “sociedade do espetáculo”, tal como foi definido por Guy Debor no livro do mesmo nome. Do uso quase que indiscriminado deste pensamento resulta a sua transformação numa espécie de aforismo válido para delimitar uma série de fenômenos sociais, mas essa impropriedade indica um mecanismo não incomum no âmbito da produção científica, ou seja, a transformação de determinadas idéias em metáforas conceituais. Por si só, a concepção subjacente a uma metáfora conceitual carrega uma enorme contradição: ao tentar transformar um conceito numa metáfora, busca-se construir uma imagem que, de alguma forma, esgote a diversidade dos modos de ser do objeto representado. Cria-se assim uma analogia ao conceito a fim de facilitar sua absorção, mediante o estabelecimento de um conjunto de similaridades facilmente aplicáveis a um grupo significativo de fenômenos sociais. Todavia, como toda imagem é sempre parcial em relação ao seu objeto, nunca será possível representar a totalidade dele, por mais gerais e amplos que sejam os paralelismos suscitados pela representação. Desse modo, ao ser transformada numa metáfora conceitual, a “sociedade do espetáculo” parece desconsiderar justamente esta parcialidade representativa. Ao definir a sociedade como um grande espetáculo, Guy Debord nega a realidade social do objeto, como se o espetáculo fosse uma mimese de uma série de fenômenos sociais passíveis de serem esgotados numa única representação. Enquanto os conceitos constituem uma síntese, na qual, por meio do raciocínio lógico-predicativo, busca-se apreender o porquê do modo de reagir de um conjunto de ocorrências observáveis, sem nunca se confundir com elas, a metáfora conceitual estabelece uma imagem que almeja estar no “lugar do objeto”, abarcando-o por completo. Neste caso, não são os objetos que indicam os traços a serem considerados na caracterização do espetáculo, uma vez que eles são gerados pela própria metáfora que, por sua vez, também não se define com clareza.

A filosofia e seus intercessores: Deleuze e a não-filosofia – Jorge Vasconcelos

Pretendo relacionar o problema do pensamento com a criação artística em Gilles Deleuze, mostrando a importância de um pensamento diferencial, proposto pelo filósofo como nova imagem do pensamento, isto é, um pensamento que privilegia a idéia de diferença para
instaurar novos ângulos e perspectivas do real. Essa aliança entre a criação artística e a produção filosófica propicia condições de possibilidade para formular uma leitura da obra deleuziana em que esse pensamento faz uma vertiginosa incursão nos domínios não-filosóficos na constituição de sua démarche. Investigarei, neste sentido, a noção de “intercessores”, que, mesmo pouco tematizada na obra do filósofo, entendo tratar-se de idéia fundamental para a questão aqui em pauta.

Os Equívocos de Peirce – Ciro Marcondes Filho

Este texto pretende mostrar os equívocos, deficiências e inexatidões da teoria semiótica de C. S. Peirce tão utilizada em pesquisas sobre imagens, textos e expressões em geral no Brasil. O autor problematiza certos conceitos-chave dessa teoria e prega a necessidade de se realizar uma investigação rigorosa de seus escritos. Para isso, ele se propõe a dar início a essa tarefa discutindo o conceito de “interpretante”.

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