Ficha de Leitura: Espinoza e os Signos – Gilles Deleuze

DELEUZE, Gilles. Espinoza e os signos. Porto: Rés, 1970.

A vida

“Tanto na sua maneira de viver como de pensar, Espinoza fornece uma imagem de vida positiva e afirmativa, contra os simulacros com que se contentam os homens. Não só os que se contentam com eles, mas também o homem cheio de ódio à vida, envergonhado da vida, o homem da autodestruição que multiplica os cultos da morte, que faz a união sagrada do tirano e do escravo, do sacerdote, do juiz e do guerreiro, que está sempre a acusar a vida, a mutilá-la, que a aniquila a fogo lento e vivo, que a recobre ou cobre com leis, propriedades, deveres, impérios: eis tudo o que Espinoza diagnostica no mundo, esta tradição do universo e do homem.”

(DELEUZE, 1970, p.21)

“Porque Espinoza faz parte dos viventes-videntes. Diz ele precisamente que as demonstrações são os olhos da alma. Trata-se do terceiro olho, aquele que permite ver a vida para lá das aparências falsas, as paixões e os mortos. Para tal visão são necessárias virtudes: a humildade, a pobreza, a castidade, a frugalidade -, não como virtudes que mutilem a vida, mas como forças que a desposem e penetrem. Espinoza não acreditava na esperança nem mesmo na coragem; não acreditava senão na alegria e na visão. Deixava viver os outros desde que os outros o deixassem viver.”

(DELEUZE, 1970, p.23-24)

A filosofia

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